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Integrando a logística industrial com base na TOC
17/05/2010 | Fonte: Logística Descomplicada Noticias  
Por Neimar Follmann

A logística, para ser logística, deve ter suas atividades – transporte, armazenagem e gestão de estoques – nas etapas de abastecimento, interna e de distribuição, integradas. É somente com a integração das atividades que a logística desempenhará seu papel de forma completa.

Fazer com que isto aconteça, no entanto, nem sempre é fácil. É comum vermos comercial, PCP e expedição com algum nível de integração, mas é menos comum vermos comercial, compras e estoques de matérias-primas, por exemplo, nesta mesma condição. Normalmente, há uma barreira invisível nas empresas, porque os setores e as pessoas são avaliados de forma individual. Então, ao tentar melhorar a integração, passa-se a ter certa dificuldade de fazer com que todos trabalhem em função de uma causa maior, o lucro da empresa, que é decorrente, principalmente, de um ótimo atendimento aos clientes.A integração das atividades logísticas a que me refiro, é a situação em que todas estão trabalhando de forma sincronizada, com o mínimo de estoque possível e com a maior velocidade do fluxo, sendo gerenciadas por um elemento central, que deve ser a logística.

A grande questão neste processo de integração da logística é onde começar e como organizar isto. Faço aqui a proposta de se iniciar a partir de algo já conhecido por todos – pelo gargalo do sistema. É importante ressaltar que estou propondo isto para a logística de empresas industriais. Não que isto não vá funcionar para empresas distribuidoras, por exemplo, mas sempre há detalhes que se alteram de um sistema para outro, apesar dos gargalos continuarem existindo.

Por que o gargalo? Ao se integrar a logística, um dos maiores objetivos é reduzir o custo e permitir que toda a demanda que o mercado proporciona seja atendida. Isto quer dizer que, mesmo que estejamos falando de logística, é preciso olhar também nos processos da indústria, pois não basta ter um ótimo sistema logístico se o processo produtivo é lento e exige altos níveis de estoques. Então, o sistema que devemos enxergar para integrar a logística é o todo, considerando-se os processos da indústria. A justificativa disto é que o cliente interno da logística de abastecimento é a indústria e esta é a fornecedora da logística de distribuição.

Ao encontrar o gargalo, pode-se aplicar algumas etapas, já propostas pela Teoria das Restrições , que envolvem explorar o gargalo e subordinar a decisão de explorar o gargalo ao restante do sistema. Ao fazer isto, inicia-se o processo de integração, porque:
1) É necessário considerar logística e produção como um único sistema, um único fluxo de materiais;
2) É preciso encontrar o gargalo – o ponto fraco do sistema – e isto permite que todo o sistema seja melhorado;
3) Ao fazer a escolha de como explorar o gargalo, determina-se o que será produzido em função do que há para ser entregue;
4) Define-se, também neste momento, o que deverá ser comprado;
5) E todas as atividades anteriores e posteriores ao gargalo estarão trabalhando em função do ritmo do gargalo.

Na prática, isto significa que menos estoques será comprado e formado entre as atividades e na expedição. E menos estoque significa mais velocidade e melhor atendimento.

E quanto à integração? Ao fazer esta amarração entre o gargalo e o restante das atividades, cria-se uma dependência entre eles, o que permite que todos trabalhem com o mesmo objetivo. Pra gerenciar isto pode ser utilizado o Tambor-Pulmão-Corda da TOC.

* Neimar Follmann, é mestre em Engenharia de Produção com foco em Logística e Transportes, pela Universidade Federal de Santa Catarina. É formado em Administração e possui especialização em Métodos de Melhoria da Produtividade pela UTFPR. Possui experiência na gestão de frota, em empresas de transporte de cargas, e logística industrial, no ramo moveleiro. Cursa Doutorado em Engenharia de Produção na UFSC.
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