|
Conteúdo exclusivo
|
|
Busca
|
|
Logística de atendimento emergencial ao Transporte de Produtos Perigosos
|
09/03/2009
|
Fonte: Newcomex
|
Artigos
|
Os efeitos causados por alguns acidentes tecnológicos ocorridos em nossa recente história industrial causaram perdas de vidas humanas, de patrimônio e prejuízos incalculáveis para o meio ambiente, como os acidentes ocorridos: 1) na explosão de um reator em Seveso, na Itália, em 1976; 2) no vazamento de isocianato de metila, em Bhopal, na Índia, em 1984; 3) na perda do controle de um reator na usina nuclear, em Chernobyl, na União Soviética, em 1986; 4) no incêndio de um depósito de produtos químicos em Basiléia, na Suíça, em 1986 e 5) no desastre do Exxon Valdez, no Alaska, em 1989.
A partir da divulgação dos casos que aconteciam no mundo, a sociedade começou a cobrar ações de prevenção e de controle para as fontes fixas e móveis potencialmente causadoras de danos.
Em uma operação de atendimento, como no caso de acidentes no transporte rodoviário de cargas perigosas o fator tempo é considerado como a diferença entre o sucesso e o fracasso da operação. Além do treinamento das equipes, a planificação das ações de combate com a utilização de um Sistema de Informações, dividindo bem o atendimento em fases, e a existência de um Plano de Emergência bem estruturado, é fundamental.
Visando a prevenção, a ação de combate mais eficiente e o controle dos efeitos causados pela poluição proveniente dos acidentes ocorridos no transporte rodoviário de produtos químicos, novos dispositivos foram criados. Novos procedimentos foram estabelecidos, como a exigência pelos órgãos ambientais da apresentação de Planos de Emergência e do licenciamento ambiental para as transportadoras. Novas técnicas e tecnologias foram desenvolvidas e empregadas, como por exemplo, o rastreamento dos caminhões através de satélites.
Com a criação de novas leis que alteraram as responsabilidades administrativas, civil e penal na área ambiental, introduzindo as responsabilidades objetiva e solidária na esfera civil, e mais tarde, a responsabilidade criminal por danos ambientais, as transportadoras e as indústrias com maior potencial de risco se conscientizaram e evoluíram, principalmente, na criação e manutenção de equipes especializadas em avaliar aquele potencial e para agir de imediato em situações emergenciais, demonstrando grande preocupação com as conseqüências de um possível dano.
Um grande avanço ocorreu no sentido de criação de planos de emergência, com a participação da indústria em conjunto com a Defesa Civil e com órgão ambiental, em uma ação técnica integrada de combate, imediata e eficiente, reduzindo consideravelmente o tempo do início do atendimento.
Todos os produtos perigosos têm seu potencial de perigo, em função de suas características físico-químicas, podendo ser explosivos, inflamáveis, tóxicos, oxidantes, corrosivos e radioativos. Esse perigo também está relacionado ao seu estado físico e às quantidades em que são transportados. Uma vez mantidos e transportados em condições de segurança, o potencial de risco é reduzido.
É importante que sejam realizados investimentos na prevenção dos acidentes ambientais. Os princípios de prevenção e de uma ação eficiente de combate têm como objetivo evitar e reduzir os efeitos gerados por acidentes, pois vidas humanas estão ameaçadas em todas as etapas do atendimento. Apesar de sempre perseguida, a marca zero para emergências é uma meta muito difícil de ser atingida.
A eficiência em ações de combate tem a mesma importância que as medidas de prevenção. A precaução reduz as possibilidades de acidentes, mas no caso de uma ocorrência, para a obtenção do máximo de eficiência nos procedimentos em uma ação de combate a uma situação emergencial, a equipe envolvida necessita estar bem preparada e ter: a) autonomia para decidir; b) equilíbrio emocional; c) integração com outros órgãos; d) aprimoramento constante.
Os procedimentos devem ser permanentemente testados através de simulados e sempre visando padronizar a atuação dos membros da equipe através do registro e confirmação da ocorrência, da verificação das características do produto, da separação dos equipamentos de proteção individual e da efetuação de contatos com outros órgãos.
A empresa potencialmente causadora de poluição acidental que não adotar um plano de atendimento emergencial estará sujeita ao fracasso com perdas irreversíveis no futuro. Hoje é inadmissível cogitar-se redução de custos baseada na eliminação de segurança e de prevenção ambiental. As empresas se adaptaram a situações novas, mas necessitam de tempo e apoio. Esta é a opção de um setor que cada vez mais se especializa, afastando os amadores e curiosos.
Roberto Roche é Coordenador de QSMS.
Mais informações
|