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Governança corporativa e a logística
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23/03/2009
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Fonte: Intelog
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O tema do momento entre os empresários e gestores inseridos no mercado logístico e de transporte de cargas é "governança corporativa". Modismos à parte, este é um assunto de extrema importância para empresas de todas as atividades. Contudo, os executivos (inclusive da área de logística) ainda não abordam a questão com a profundidade que ela merece.
Desta forma, antes de abordar os impactos, faz-se necessário lembrar que "governança corporativa" é o conjunto de processos, políticas, costumes, leis, regulamentos e instituições que regulam a maneira como a empresa é dirigida, administrada ou controlada. Isso envolve as diversas relações entre os muitos "atores" da empresa, bem como as metas pelas quais ela se orienta, com envolvimento também de todos os ambientes que circundam as companhias, como clientes, fornecedores, bancos e outras agências de crédito, agências reguladoras, meio ambiente e a comunidade.(Fonte: O Povo/CE)
Para as empresas de logística e transporte de cargas, o tema ganha importância no atual cenário de fusões e aquisições. Os empresários destes setores devem estar atentos ao fato de que as empresas que administram devem estar bem preparadas para uma eventual fusão o venda. Assim, esta reflexão é conduzida para a questão sobre o tipo de empresa a ser mais valorizada e, assim, ganha força o apelo à integridade da companhia ou, neste caso, principalmente se ela "entrega o que promete".
Nos processos de negociação de fusão ou aquisição, vale frisar que as análises envolvem alguns pontos fundamentais, como eficiência de custo, transparência, capacitação interna e desempenho operacional versus satisfação dos clientes. Neste sentido, as empresas não alinhadas às boas práticas de gestão estão completamente fora de contexto, pois a preparação com governança corporativa incide, por exemplo, em parar de dar "bola" ou qualquer outro tipo de propina para fiscais ou compradores; infelizmente, estas são práticas ainda comuns em muitas companhias do setor.
Neste panorama, há ainda a questão da sustentabilidade, muito abordada em diversos segmentos, mas pouco adotada, principalmente pelas empresas ligadas ao transporte e à logística. Neste caso, apesar de este conceito ser lembrado na maioria das vezes apenas aos importantes aspectos ambientais, deve estar ligado à continuidade dos negócios, tanto sobre os fatores econômicos como os sociais e culturais.
Desta forma, o tema abrange todos os níveis da organização, desde a vizinhança da companhia até o planeta inteiro, tendo os empreendimentos de atender quatro requisitos básicos: ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito.
No caso das empresas, a atenção a estes pontos deve ser mostrada por meio de ações claras, pois, mesmo em um momento de crise como o atual, as empresas identificam espaços para bons negócios e, quando a crise estiver no passado, elas não podem perder as oportunidades por estarem desalinhadas com as exigências mercadológicas que, inclusive, já se manifestam por meio das políticas econômicas anunciadas pelo governo de Barack Obama nos Estados Unidos, que ainda formam o maior mercado global, em que participam os principais players de todas as atividades.
Mas, embora os impactos do cenário econômico (seja ele qual for) sejam tangíveis a empresários e gestores de todos os níveis, pois incidem diretamente sobre os cofres das suas companhias, o mesmo não ocorre com a questão da governança corporativa. Nesta área, ainda resta um grande dilema setorial no Brasil: Como falar de governança para empresários de transporte de cargas cuja frota é de cinco caminhões ou menos, mas que representam 80% das transportadoras em operação no País?
Isso mesmo. A esmagadora maioria das empresas do setor é constituída em que a realidade da governança corporativa, com atenção especial às questões da sustentabilidade, ainda está muito distante.
Contudo, o cenário brasileiro é extremamente ambivalente no sentido de que, embora apenas 5% das transportadoras possuem mais de 100 veículos, juntas, elas compõem um setor significativamente estratégico para todas as atividades da economia.
Antonio Wrobleski Filho – Gazeta Mercantil.
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