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Governo pode ganhar – e muito – com adoção de ferramentas de BI
03/04/2009 | Fonte: Baguete Noticias  
Embora vejamos projetos tecnológicos muitíssimo bem sucedidos em diversas esferas do setor público no Brasil, paradoxalmente, ao mesmo tempo, temos órgãos governamentais com pouca ou nenhuma capacidade de análise inteligente das informações geradas por seus inúmeros – e muitas vezes desintegrados – sistemas. No entanto, tal e qual uma empresa privada, o setor público enfrenta crescentes pressões por redução de custos, melhores resultados e muito, mas muito mais transparência.

Ainda a exemplo do que ocorre nas grandes corporações, também nos órgão públicos informações são geradas aos montes e, o que é pior: essa enxurrada de dados inevitavelmente aparece nos mais diversos formatos e variados níveis de qualidade. Os executivos de TI do governo precisam entender que, enquanto esses dados não forem adequadamente gerenciados, suas organizações enfrentarão inconsistência de informações, falta de transparência e, quem sabe o maior de todos os problemas, verão o dinheiro público escoar ralo abaixo.

Em tempos de incertezas econômicas, as organizações mais do que nunca esperam que suas áreas de TI contribuam com resultados de negócios. Tanto é assim que uma recente pesquisa do Gartner revelou que os investimentos realizados em TI durante 2008 serão mantidos este ano. Segundo o levantamento, que ouviu mais de 1.500 executivos de tecnologia dos setores público e privado de 48 países, cerca de 35% dos CIOs contarão com o mesmo orçamento de TI, enquanto 46% investirão mais dinheiro na área e 21% cortarão gastos.

O BI encabeça a lista de prioridades desses executivos em 2009. E, apesar de já ser alvo de atenção dos profissionais de TI há alguns anos, agora os investimentos realizados nessa tecnologia terão dividendos extras ao atender a novos requisitos financeiros e regulatórios, na visão desses CIOs. Eles pretendem investir em aplicativos de BI e consolidação de informações para dar mais visibilidade e transparência às suas organizações, particularmente no que diz respeito ao desempenho operacional.

Os resultados gerados pelo BI nas empresas privadas podem, seguramente, ser igualmente obtidos por órgãos públicos. A tecnologia é capaz de gerenciar a multiplicidade de informações com as quais eles têm de lidar, além de garantir que os dados sejam apresentados de forma relevante para a organização, proporcionando valor para todas as áreas e níveis no setor público. O BI tem as ferramentas que permitem aos profissionais, em todos os níveis, utilizarem informações para tomadas de decisões mais assertivas, gerando mais produtividade e qualidade dos serviços.

Isso posto, fica clara a necessidade de as organizações governamentais reconhecerem o valor que o BI pode ter no sentido de suprir o setor público com a capacidade de melhor administrar suas informações. Os dados podem, inclusive, ser analisados e utilizados como base para o desenvolvimento de suas políticas.

Essas organizações se beneficiarão da convergência desses aplicativos com outros sistemas em áreas como governança, risco e consolidação, gestão de desempenho empresarial (EPM) e de informações corporativas. E elas parecem começar a perceber isso: para se ter uma idéia, na região da Ásia e Pacífico, onde, segundo o Gartner, os investimentos em TI devem ser reduzidos em 2009, na comparação com 2008, aproximadamente 15% dos clientes da SAP Business Objects, já são representantes do setor público.

Se considerarmos que a previsão do Gartner para a América Latina é que os gastos com TI este ano sejam superiores aos registrados ao longo de 2008, e que BI está no topo da lista de prioridades dos executivos, o setor público representa um potencial nicho de bons negócios para os vendedores de BI em 2009.

Os benefícios que essa tecnologia - com a adoção de métricas, processos e sistemas para monitorar e gerenciar atividades e o desempenho de suas políticas, por exemplo - pode trazer à administração dos negócios, sejam eles públicos ou privados, é inquestionável. Vale lembrar, porém, que a complexidade de implementação de novas tecnologias no setor público é normalmente muito alta, e que as divisões de maior desempenho necessitam de capacidade de implementação de serviços rápidos, processos centrais e infra-estrutura tecnológica, enquanto mantêm os custos de TI baixos, assegurando a interoperabilidade dos aplicativos existentes e fornecendo interações contínuas com seus constituintes. Essas facilidades também são parte do conjunto de benefícios obtidos a partir da implantação de uma boa solução de BI.

No entanto, exatamente por trazer em seu bojo essa série de melhorias críticas aos negócios, a escolha da ferramenta de BI deve levar em conta uma série de aspectos, incluindo, por exemplo, suas capacidades funcionais, os requisitos de infra-estrutura e, principalmente, o histórico e alcance do atendimento pós-venda do fornecedor.

Já há diversos casos de sucesso de soluções de BI em órgãos públicos em diferentes cantos do mundo. Por aqui, os resultados da adoção dessa tecnologia, quando realizada com cuidado e com base nas melhores práticas do mercado de TI, não têm motivos para serem diferentes. Ao contrário, há motivos de sobra para acreditar que as implementações de BI em departamentos públicos brasileiros tragam resultados ainda melhores do que aqueles registrados mundo afora.

André Petroucic é diretor da área Business Users da SAP Brasil.
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